Nostalgia e Games

03/02/2012 by: thiago

Nostalgia e Games – Renato Razzino

No post da semana passada, o Álvaro confessou uma coisa interessante: “às vezes sinto saudade do meu Game & Watch”. Meu irmão recentemente comprou um Super Nintendo porque sentia muita saudade de jogar Street Fighter. É óbvio que ele sabe que tem esse jogo pra outros consoles (ele tem o SF 4 pra PS3, inclusive), mas o do SNES tem, pra ele, algo que os outros nunca vão ter: aquele gostinho de adolescente que ganhou o console mais hiper-mega-blaster legal de todos e acabou de colocar o cartucho. Dá saudade, não dá?

Acho que todo gamer tem um ponto da vida do qual nunca vai se esquecer: aquele console ou aquele jogo que o marcou de uma forma especial. No meu caso, foi o Nintendo 64 (família de nintendistas, como vocês podem ver). Se querem saber como eu me senti quando ganhei o console, é só ver aquele vídeo, famosíssimo no mundo gamer, em que um menino ganha o N64 no natal. Foi mais ou menos isso, com mais berro provavelmente.

O que eu quero dizendo tudo isso? É bem simples: o objetivo desta postagem é falar de como, num mundo em que gráficos absurdamente realistas são possíveis, alguns designers estão preferindo deixar o 3D de lado e trazer a nostalgia como elemento de criação. E estão tendo bastante sucesso nisso, por sinal.

Já que estamos brincando de Nintendo, vou falar do exemplo mais legal que eu consigo achar: Donkey Kong. Ignorando o primeiro DK de todos, aquele de Arcade em que ele sequestrava a princesa e era derrotado por um encanador, vamos passar direto pro Donkey Kong Country de SNES, desenvolvido pela Rare e lançado em 1994. O jogo era lindíssimo graficamente e tinha uma jogabilidade muito legal. Fez sucesso e teve duas continuações pro mesmo console – lembram da Dixie e do Kiddy? Pois bem, a Rare resolveu fazer outra continuação pra N64 e botou a macacada numa versão de Banjo-Kazooie com bananas em vez de peças de quebra-cabeça. Fácil demais, curto demais, igual demais – ou seja, um jogo que não tinha nada demais (ao menos pra mim). Não colou.  Em 2010, a Retro Studios (nome sugestivo pro argumento do post) lançou pra Wii, junto com a Nintendo, outra sequência: Donkey Kong Country Returns. Abri o vídeo pra ver a jogabilidade e babei no teclado: movimentação em 2D, jogabilidade tradicional, tem até aquelas fases (difíceis de jogar) em que você fica num carrinho de mina! Eu já vi tudo isso, já joguei tudo isso – e eu reclamei de Donkey Kong 64 ter sido igual a Banjo-Kazooie. Por que será que eu reclamo de DK 64 e não desse? Simples: saudade, nostalgia. Quando saiu Banjo-Kazooie eu já tinha jogado muita coisa, já era grandinho e por isso quanto o DK 64 retoma eu não sinto gostinho de infância. O de Wii retoma isso – e é esse o chamado “X factor”, o “quê” do jogo. O resumo da ópera é: nostalgia vende (e como!).

Ontem meus amigos me mostraram o gameplay de um jogo: Scott Pilgrim vs. the World. Me lembrou daqueles arcades maravilhosos de Cadillacs and Dinosaurs, Final Fight e Captain Commando. Mal posso esperar pra jogar!

E vocês, conseguem lembrar de algum jogo que marcou assim?

Renato Razzino Ernica é Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (2011). Atualmente faz mestrado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na mesma instituição, pesquisando games sob a perspectiva teórica da Semiótica das Paixões e da Semiótica Tensiva, e trabalha num projeto de pesquisa que tem por objetivo estabelecer um glossário bilingue de semiótica, disponibilizado online e gratuitamente.

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