NOVOS ESPAÇOS CONQUISTADOS PELOS VIDEOGAMES NO BRASIL

17/02/2012 by: thiago

Novos Espaços Conquistados pelos VideoGames no Brasil – Diogo Rodrigues

Na semana passada, tivemos aqui no site um panorama sobre a produção cultural que foi crescendo à medida que mais e mais pessoas se interessaram e tomaram iniciativa para com a cultura gamer dentro do Brasil. Kao colocou em seu post diversas informações que mostram como os games estão cada vez mais sendo alvo de destaque, discussão e reflexão dentro da cultura brasileira.

No final do ano passado tivemos a notícia de que a legislação brasileira mudou a posição dos games como “jogos de azar” para o reconhecimento de um produto cultural. Essa mudança teve forte influência por conta da iniciativa do “Jogo Justo”, que promoveu essa mudança de status dos games como cultura e também pode propor a alteração da cobrança de impostos sobre jogos para o Brasil, visando a isenção do IPI (Imposto de Produtos Industrializados) para os mesmos. Uma vez aprovada, agora a proposta se encontra em fase de análise pelas comissões da Constituição e Justiça e Cidadania e Finanças e Tributação.

No final de novembro o MinC (Ministério da Cultura do Brasil) incluiu jogos eletrônicos à Lei 8.313, mais conhecida como Lei Rouanet. Isso permite refletir sobre como os games estão ganhando cada vez mais espaço dentro da cultura brasileira através da valorização dos mesmos como produtos culturais patrocinados pelo governo. A Lei Rouanet funciona a partir de renúncia fiscal, seja de empresas, pessoas jurídicas ou físicas, e, dessa forma converte o imposto de renda que iria para o governo em doação ou patrocínio cultural para algum projeto aprovado pelo MinC. Para se inscrever basta estar de acordo com as normas dentro da lei. O proponente deve se cadastrar no MinC e em seguida cadastrar sua proposta cultural na SalicWeb (encontrada dentro do próprio site do MinC). A Lei Rouanet está aberta para inscrição em período integral, não dependendo de um período específico para tal. Uma vez inscrito o projeto será avaliado e possivelmente aprovado. Com a aprovação o proponente pode buscar recursos de empresas ou pessoas físicas que tenham interesse em converter seu imposto de renda em um produto cultural, fazendo o chamado marketing cultural, que atrela a marca delas ao projeto.

Para saber mais sobre a Lei Rouanet visite o site do MinC e se informe sobre como se inscrever e estar dentro das normas da lei para um possível projeto a ser investido – www.cultuva.gov.br, sendo o seguinte link o da nova portaria – www.cultura.gov.br/site/2011/12/01/portaria-n%C2%BA-1162011minc/. O trabalho vai muito além da inscrição. Entretanto, poder contar com um tipo de apoio para a produção de um game é melhor do que ter que partir do zero para chegar ao resultado esperado.

A entrada de jogos eletrônicos na Lei Rouanet me lembra do BRGAMES, o edital do MinC para a produção de um game, com a intenção de fomentar a indústria brasileira nesse mercado. Ele ocorreu uma única vez em 2009. Porém, quem sabe com as novas políticas de fomento acerca dos games como cultura, encontraremos um novo formato desse mesmo edital, assim como novos que incentivem cada vez mais a produção brasileira de jogos. Especulação, mas pelo forma como os eventos estão se encaminhando, arrisco afirmar.

Podemos dizer que (finalmente?) os videogames passaram a atribuir um outro valor dentro da cultura brasileira. Valor esse que agrega propriedades que os configuram como algo mais próximo do que eles realmente são, podendo dessa forma re-configurar a antiga mentalidade construída e dar lugar a um novo conceito para os jogos dentro da sociedade e do mercado brasileiro. Os passos podem parecer pequenos e os caminhos desconhecidos para uma implementação concreta e efetiva dessa cultura que tem tanto para se pensar e refletir. Porém, o espaço da cultura gamer cresce a cada dia, e à medida que existe uma conscientização maior sobre como fazer uso dos mecanismos oferecidos à sociedade, e mesmo através de iniciativas individuais, caminhamos para o constante crescimento dessa forma de arte e cultura.

Diogo Rodrigues é bacharel em Audiovisual pelo Centro Universitário SENAC, concluiu seu curso com uma monografia sobre as relações construídas entre narrativa e jogabilidade nos games, analisando o jogo Red Dead Redemption, sob a orientação da Profa. Dra. Renata Gomes. Durante a faculdade encaminhou sua carreira profissional para a pós-produção, visando a montagem e a produção de finalização. Entre os trabalhos realizados dentro e fora da faculdade destaca-se o estágio na produtora Kinoosfera Filmes e o curta-metragem Resquícios. Além da monografia também realizou uma iniciação científica, com a Profa. Dra. Renata Gomes, sobre videogames, com a bolsa PIBITI do CNPq. Atualmente faz parte de um grupo de desenvolvimento indie de games.

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