Narrativas transmídias e Games

09/04/2012 by: thiago

Narrativas transmídias e Games – Thiago Mittermayer

A narrativa transmídia ou narrativa transmídiatica é uma área das mídias digitais que vem me instigando a pesquisa nos últimos meses, principalmente pelo fator dos projetos transmídiaticos conseguirem contar histórias em diversas mídias. O objetivo desse post será apresentar aspectos iniciais sobre narrativa transmídia e fazer uma pequena relação de um filme de animação dos 90 que teve um jogo para o console Super Nintendo Entertainment System, mais conhecido apenas por Super Nintendo, na mesma década.

O termo narrativa transmídia, do inglês “transmedia storytelling”, foi cunhado por Henry Jenkins em seu livro “Cultura da Convergência” (2009),  e é apresentado como a técnica de contar uma história em múltiplas plataformas de mídia. No livro Jenkis aborda alguns conceitos como: inteligência coletiva, cultura do conhecimento, importância dos consumidores nestes projetos, entretenimento na era da convergência, letramento mídiatico, dentre outros, bibliografia obrigatória para esta área.

Uma visão de alguém da indústria pode ser conferida em uma entrevista feita pelo site ISTOÉ Dinheiro com Jeff Gomez, um dos pioneiros na criação de projetos de narrativa transmídia, que trabalha nesta área desde meados dos anos noventa. Gomez é CEO da Starlight Runner Entertainment , que possui como clientes “pequenas” empresas como Disney, Coca-Cola, entre outras, ele também é produtor transmídia de Avatar e Piratas do Caribe. Apresentaremos abaixo trechos da entrevista, as partes grifadas, em negrito, são essenciais para a continuidade deste post:

DINHEIRO: Como o senhor define transmídia?

GOMEZ: Transmídia é um terno que não gosto de usar de forma isolada. Porque há uma certa ambigüidade sobre o que ele significa e poderia ser o mesmo que multi-plataforma ou crossmedia. Quando você o usa de forma isolada, há esse problema. Entretanto, narrativa transmídia é o termo que me sinto mais confortável em usar, porque você estabelece a noção de que está comunicando mensagens, conceitos, histórias de forma que cada plataforma diferente de mídia possa contribuir com algo novo para uma narrativa principal. Além disso, ela convida o público a participar de alguma forma ou em algum momento. Então, uma boa narrativa transmídia é aquela que se espalha por diferentes mídias, sendo que uma delas é a principal em que a maioria das pessoas vai acompanhar e se divertir, sem a necessidade de seguir o todo, mas quem o fizer terá uma experiência mais intensa.

DINHEIRO: Historicamente, a indústria do entretenimento tem se envolvido mais com projetos de narrativa transmídia. Qualquer tipo de marca ou produto pode tirar vantagem de um projeto desse tipo?

GOMEZ: Sim, mas há aquelas situações em que a estratégia funciona melhor. A marca ou a história a ser contada precisa ser grande, icônica, para ser desdobrada em diferentes mídias. Uma empresa de sabonetes, por exemplo, precisa entender a essência do seu produto, para que possa se construir uma grande história em torno dessa essência. A partir disso, é possível criar uma série de coisas muito interessantes, não tenho dúvida. Já criamos um universo em torno de um refrigerante, no caso a Coca-Cola, com a Fábrica da Felicidade dentro das máquinas. Então, é sempre possível.

A entrevista completa pode ser acompanhada neste link.

Para o fechamento do primeiro objetivo deste post e “sermos mais transmídia” temos um vídeo com a matéria: “Saiba mais sobre o diálogo coletivo chamado transmídia” do programa Globo News Ciência e Tecnologia, no vídeo temos uma “amarração” de tudo que foi abordado até aqui com exemplos de projetos transmídiaticos brilhantes, por exemplo, Star Wars, Matrix, Heros, que envolveram filmes live action, jogos, quadrinhos, animações, livros e muito mais, o vídeo tem cerca de vinte minutos, mas irá esclarecer todas as suas dúvidas sobre narrativa transmídia, o vídeo pode ser acessado por este link.

O segundo objetivo deste post é fazer uma ligação entre o filme de animação Aladdin da Diney, com seu respectivo jogo para o console Super Nintendo, desenvolvido pela Capcom, na tentativa de analisar o início do exercício da criação de narrativas transmídiaticas, ainda que termo narrativa transmídia não existisse.

Um ponto de muita discussão nos projetos transmídiaticos é que na maioria das vezes há apenas uma adequação, adaptações, muitas vezes mal feita, da narrativa principal em outra mídia, não aproveitando o que a nova mídia têm de melhor para contar a história, para acrescentar algo a história. O espectador ou o gamer têm que conseguir entender, vivenciar a história na mídia em que ele se sentir melhor, como diria Jenkins “quem converge é o público e não as plataformas”. No jogo Aladdin da Capcom a narrativa transmídia começa a brotar, o gamer consegue entender a história principal independente do filme, através da mecânica do jogo, dos objetivos, dos procedimentos, das regras, dos recursos, dos conflitos, dos textos e principalmente pelas pequenas animações. É visível também que há uma adaptação fiel de cenários, personagens, até mesmo a jornada percorrida pelo herói, que não são idênticas aos do filmes, mas são do mesmo universo criado, diferentemente do que aconteceu com o filme e o game de Rei Leão, mas isto fica para uma outra hora.

Thiago Mittermayer - Graduando de Tecnologia e Mídias Digitais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pesquisa sobre Construções Intersubjetivas nas Redes Sociais da Internet em sua Iniciação Científica junto ao CNPq tendo como orientadora a Professora Doutora Maria Lucia Santaella Braga. Participa nos grupos de pesquisa CS:Games, Sociotramas, Mundo em rede, todos do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atua e pesquisa assuntos relacionado às Tecnologias e Mídias Digitais, principalmente redes sociais, games, cinema de animação. Co-responsável pelo blog e pelas redes sociais do grupo.


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