Fighting Games

20/04/2012 by: thiago

Fighting Games – Gilberto Ataide

A cultura dos jogos de luta no meio competitivo tem vivido uma grande mudança nos últimos anos. Tendo iniciado nos tempos áureos das casas de arcades (mais conhecidos como “fliperama” pelos brasileiros) com os clássicos como Street Fighter 2, Pit Fighter e Mortal Kombat, os jogos desse gênero tiveram grande sucesso no começo dos anos 90 sendo adaptados para as mais diversas plataformas e criando uma comunidade de jogadores profissionais que manteve viva as competições mesmo quando a industria entrou em declínio nos anos seguintes. Torneios como a EVO e o Final Round continuaram acontecendo com os jogos antigos , mesmo com as empresas como Capcom e SNK tendo parado de produzir jogos de luta por algum tempo.

A cena dos Fighting Games ganhou força com o retorno da serie clássica Street Fighter na sua quarta edição em 2008, trazendo uma nova leva de jogadores para a cena competitiva, entrando com conflito com a geração antiga e mais tradicional (gerando inclusive rupturas devido a sistemas de lutas, afastando aqueles que não aceitavam as mudanças). Jogares que ganhavam mais torneios e se destacavam com suas técnicas e estratégias  começaram a ser patrocinados por marcas de controles como Mad Cats e Hori e as outras empresas começaram a reviver suas franquias para também pegar uma fatia que a Capcom tinha voltado a explorar. Com isso A SNK voltou com  o famoso The King of Fighters, a Arc System crio a nova franquia BlazBlue, muito similar a seu clássico Guilty Gear e a Midway trouxe o Polemico Mortal Kombat de volta  no formato de um reboot muito bem elogiado pela critica.

Houve também um grande salto no feedback do jogador e do produtor, com as atualizações de jogo que rebalanceavam as falhas encontradas pelos jogadores profissionais e ajudava a deixar o jogo mais polido para a épocas de torneios, tirando bugs e sequencias de golpes infinitos. Por outro lado  as próprias empresas se aproveitaram das alterações online para coloca conteúdos extras no jogo, aumentando o lucro do titulo mesmo depois da data de lançamento.

Mesmo com esse crescimento tanto da produtores como dos jogadores, a comunidade ainda vive certos atritos em relação a suas atitudes com as jogadores femininas (uma recente polemica com um jogador tratando uma rival com desrespeito e malicia) e possíveis patrocinadores vindos da industria pornográfica, causando uma má impressão para que o publico dos jogos de luta tenham a mesma visibilidade que jogadores profissionais de outros estilos de jogos como estratégia (Starcraft) e tiro em primeira pessoa (Couter-Strike).

No Brasil em relação a outros países como Estados Unidos e Japão ainda é ligeiramente pequeno, mas já tem torneios organizados em eventos de jogos e até alguns de seus jogadores vão até a grandes lutas lá fora tentar a sorte, mas ainda não tem grandes com competições semanas virando as madrugadas como o WNF (Wednesday Night Fights) e nem Torneios grandiosos como o Super Battle Opera do Japão.

O futuro para a comunidade de jogos de luta reserva grandes possibilidades e temores. Por um lado temos cada vez mais novos jogadores tentando se tornar profissionais e um ressurgimento da classe, por outro temos reclamações em relação a atitudes da industria com abuso de DLCs e uma nova bolha que pode estar preste a estourar com o grande numero de jogos no mercado novamente (a uma media de 10 jogos novos de luta ainda para o ano de 2012). Dentre tudo isso podemos observar a ciclo de vida de um gênero que esteve presente na infância da maioria das geração de jogadores do passado.

Veja um vídeo que mostra a experiência japonesa com os arcades, retratando um pouco este universo.

Gilberto Ataide - Atualmente fazendo mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital. Pontifícia Universidade Católica PUC/SP.Graduado em Tecnologia e Mídias Digitais pela PUC-SP; Membro da Equipe GP criadora do game Raidho e vencedora do Prêmio Especial do Júri do  Festival PUC-SP de Criação e Desenvolvimento de Games (2009), game que, em versão aprimorada, ganhou também o Festival de Games Independentes do SB Games 2009, na categoria PC, pelo júri popular.

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