É fora das instituições e de partidos políticos que os jovens contemporâneos se desenvolvem e se articulam, criam políticas e politicidades, culturas, se interagem socialmente e modificam o espaço urbano. Na periferia, grupos ativistas e artísticos se organizam e se multiplicam, a despeito da falta de financiamento público, incipiente frente à cultura urbana rica e diversa que cresce, especialmente na zona sul da capital paulistana. É o que mostra o mapeamento Sociocultural da Zona Sul, uma parceria do Instituto Pólis com o Sesc Santo Amaro.
De acordo com o projeto Santo Amaro em Rede (http://www.sescsp.org.br/santoamaroemrede/) foram mapeadas 323 dinâmicas socioculturais, sendo 290 grupos – tais como coletivos, entidades, instituições – e 33 individuais. Suas principais áreas de atuação são relativas às linguagens artísticas e educação não-formal, apesar de ser necessário atentar para a dificuldade de se fazer essa divisão em áreas temáticas: muitos grupos que trabalham com educação não-formal utilizam a cultura e a arte como tema, além de outros como meio ambiente e terceira idade. De qualquer forma, é clara a forte presença das linguagens artísticas na região periférica.
Somado ao fato de apenas 5,9% dos grupos da zona sul de SP serem beneficiários de algum tipo de financiamento público, percebe-se uma tendência: o crescimento de tais grupos ocorre – apesar de sofrerem com a escassez de recursos – de maneira independente e auto-gestionária. A estética e suas formas de discurso entram como fator primordial (como se pode ver com a predominância das manifestações artísticas em suas mais variadas formas) e a internet se desenvolve aí como ferramenta, seja através da divulgação, afirmação ou até mesmo na captação de recursos. É a geração on-line periférica.
Na periferia, jovens e adolescentes têm celular, computador, freqüentam lan-houses. Os coletivos se utilizam de e-mails, blogs, Orkut, Facebook; estão presentes no mundo virtual e no mundo real, um se compondo como extensão do outro, e os dois se modificando. A apropriação das novas tecnologias não é exclusiva às classes abastadas, como se pode observar no mapeamento Sociocultural da Zona Sul e nas pesquisas que têm sido feitas no grupo Jovens Urbanos: a intercomunicação dos grupos e o uso da rede virtual para divulgação de seus trabalhos é uma realidade. A geração internet conta com uma poderosa ferramenta a mão. Trata-se agora de saber fazer bom-uso dela, criando novas formas de políticas e de modificações sociais que partam de baixo para cima. A intercomunicação já existe, a internet se expande. O que está sendo feito?
Post: Ana Kelson
Read More